Delicioso, sim. Animal, não. | Teva
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Delicioso, sim. Animal, não.

Edição 184- Revista da Gol –
Quem passa à noite pelo número 110 da avenida Henrique Dumont, em Ipanema, se depara com uma cena comum na zona sul do Rio de Janeiro: restaurante descolado, música boa e pessoas arrumadas. Porém, neste caso, você não encontra os clássicos das mesas cariocas, como tornedores e camarões. No menu do Teva, elaborado pelo chef Daniel Biron, 40 anos, não há nada de origem animal. “Somos diferentes do que as pessoas esperam de um restaurante deste tipo, com cartaz de meditação e nome indiano. Além disso, investimos em drinks elaborados”, diz o chef. Sem consumir nada de origem animal há dez anos, Daniel já trabalhou em Paris, Nova York e, agora, aposta no crescimento desse mercado no Brasil servindo receitas sofisticadas no Teva, apelidado por ele como bar de vegetais. “Estamos longe de outros países, mas [a culinária vegetariana] tem avançado bastante”, diz. Não comer carne nas refeições é um comportamento que ganha cada vez mais adeptos. Existem os veganos, que não consomem nada de origem animal (não apenas na alimentação), e os vegetarianos, que evitam animais apenas na hora de comer. Segundo uma pesquisa publicada em 2012 pelo IBGE, 16 milhões de brasileiros dizem ser vegetarianos, mas para o secretário executivo da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), Guilherme Carvalho, não é necessário um estudo para identificar o crescimento desse número. “Todos os dias recebemos mensagens pedindo informações sobre alimentação. Isso não acontecia antes”, afirma. Documentários como Cowspiracy (2014) e Food matters (2008), além da recente Operação Carne Fraca, que trouxe à tona a qualidade da carne produzida em frigoríficos do país, levaram o tema ao grande público. “O perfil dos interessados também mudou. Não dá para rotular. Tem naturebas, executivos e gente que não se imaginava sem carne, conta Carvalho. Foi assim com a estudante de engenharia Isabela Pennini, 22, de Belo Horizonte. Ela não negava um churrasco com os amigos até que, em 2015, engordou 7 quilos após passar três meses nos Estados Unidos. “Para emagrecer, comecei a fazer exercícios e a experimentar alimentos que nem passavam pela minha cabeça, como abobrinha e berinjela”, lembra. Quando aderiu à alimentação vegetariana do bandejão da faculdade, sentiu a diferença. “Eu ia para a aula mais leve”, conta. Com o novo hábito, ganhou também outros questionamentos. “Eu ignorava a violência animal e o impacto da indústria. Depois de pesquisar sobre isso, a questão deixou de ser apenas o meu bem-estar.”